1- Efeito do fogo sobre comunidades animais do Cerrado
2 - Efeitos do fogo em três níveis tróficos: Insetos herbívoros, formigas e plantas em áreas de cerrado
3 - Rede de Sementes do Cerrado
4 - Fogo e Água: Dinâmica de Ecossistemas, Grupos Funcionais e Populações de Plantas do Cerrado
5 - Impactos dos Usos das Bacias Hidrográficas sobre a Integridade Ecológica dos Ecossistemas Aquáticos do Cerrado
6 - Os Efeitos da exclusão de chuvas na fenologia do dossel dinâmica da água e respiração do solo e sobrevivência de plantas do cerrado (Seca Cerrado)
7 - Efeitos do regime de fogo sobre a estrutura de uma comunidade de cerrado (Projeto Fogo)

 

 

 

 

 

 

1- Efeito do fogo sobre comunidades animais do Cerrado

Resumo: A proposta do presente projeto é estudar os efeitos do fogo sobre os cupins subterrâneos (Isoptera) numa área de cerrado. Esse projeto é parte de um projeto maior, sobre o efeito do fogo no cerrado, que tem suporte do CNPq no âmbito do Programa de Estudos de Longa Duração (PELD), que por sua vez é parte do programa integrado de Ecologia (PIE).
Hipóteses:
a) a ação contínua do fogo reduz a diversidade faunística;
b) a ação contínua do fogo altera a abundância relativa de diferentes espécies, reduzindo algumas e aumentando outras
Objetivos:
Investigar os efeitos de longo prazo do fogo sobre alguns elementos da fauna do Cerrado.
1. Determinar os efeitos do fogo sobre a diversidade local;
2. Identificar espécies que são prejudicadas pelo fogo;
3. Identificar espécies que são beneficiadas pelo fogo.

Término: indeterminado

Coordenador: Reginaldo Constantino

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: constant@unb.br

2 - Efeitos do fogo em três níveis tróficos: Insetos herbívoros, formigas e plantas em áreas de cerrado

Resumo: Os objetivos a curto prazo deste projeto são avaliar os efeitos de queimadas frequentes: 1. Na abundância e riqueza de insetos herbívoros, especialmente larvas de lepidoptera, em plantas hospedeiras; 2. Na composição de espécies de formigas na área e visitando nectários extraflorais de plantas escolhidas; 3. Na herbivoria foliar sofrida pelas plantas e na produção de fruto pelas mesmas.

Término: indeterminado

Coordenador: Helena Castanheira de Morais

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: morais@unb.br

3 - Rede de Sementes do Cerrado

Resumo: Um diagnóstico do setor de sementes e propágulos de espécies florestais nativas do Cerrado mostra um quadro distinto daquele que se conhece em outras regiões do país: não se detectou comércio de sementes e a maior parte das mudas é produzida em viveiros de órgãos públicos. Existem deficiências técnicas na coleta (critérios de seleção e identificação de matrizes e a segurança, entre outras), no beneficiamento e produção de mudas, e no gerenciamento do setor. A Rede de Sementes do Cerrado pretende reunir os atores de todas as etapas da cadeia produtiva: o proprietário rural que possui matrizes e consome sementes e propágulos; coletores; viveiristas; instituições de pesquisa e o público em geral. A Rede terá cadastros de todos estes setores, além dos bancos de dados sobre matrizes, comportamento de sementes em viveiro e em armazenamento, controle de plantios para acompanhar o desenvolvimento de mudas e, consequentemente, um programa de seleção de matrizes. Os bancos de dados serão montados através de um sistema integrado de coleta de dados no campo, com matrizes georreferenciadas e um sistema de etiquetas com código de barras que identifica cada muda, permitindo seu acompanhamento após sair do viveiro. Com os dados coletados e sistematizados, informações técnicas serão disponibilizadas no Web-site da Rede, idealizado também para, juntamente com publicações técnicas, fomentar a demanda por mudas e sementes florestais do Cerrado. Para suprir esta demanda, a Rede promoverá cursos de capacitação dos atores, envolvendo identificação e seleção de matrizes, técnicas de coleta, técnicas de viveiro e produção de mudas, e operação da Rede.

Término: indeterminado

Coordenador: Manoel Cláudio da Silva Jr.

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: mcsj@unb.br

Coordenador: Linda Styer Caldas

E-mail: linda.sc@terra.com.br


4 - Fogo e Água: Dinâmica de Ecossistemas, Grupos Funcionais e Populações de Plantas do Cerrado

Resumo: A conversão de florestas e savanas tropicais é uma das mais importantes transformações ecológicas do século. Considerando a grande extensão das savanas, e do Cerrado em particular, as transformações destes ecossistemas teriam o potencial de influenciar os padrões regionais e mesmo globais dos ciclos de água e carbono. O Cerrado ocupa uma área correspondente a 22% do território nacional, sendo que 40% de sua extensão estão hoje transformados em pastagens cultivadas e agricultura intensiva. Este processo acelerado de conversão da cobertura vegetal está levando a uma transformação de comunidades vegetais dominadas por espécies lenhosas em comunidades dominadas por gramíneas e/ou herbáceas. Além das alterações funcionais de uso da água, a dominação das comunidades vegetais do Cerrado por espécies graminosas deve alterar também os estoques regionais de biomassa e carbono no solo.
Os principais objetivos deste projeto são: 1) Determinar o uso da água e estoques de biomassa de raízes no solo profundo de um cerrado denso e um campo sujo; 2) Quantificar o efeito da exclusão da chuva no uso da água; 3) Classificar os grupos funcionais e determinar os padrões demográficos de espécies de gramíneas. Para alcançar estes objetivos o projeto empregará técnicas de investigação dos processos ecológicos que ocorrem nos solos profundos do Cerrado (até 8 metros), dinâmica da água e nutrientes no sistema solo-planta-atmosfera, fenologia da vegetação (especialmente os processos de foliação), dinâmica populacional de plantas e desenvolvimento de modelos demográficos de predição dos efeitos das queimadas na estabilidade de populações de gramíneas do Cerrado.
Os resultados deste projeto integrado nos permitirão testar a premissa de que é possível predizer mudanças nos processos ecológicos dos ecossistemas a partir das características específicas das espécies que o compõe. Uma vez que as mesmas técnicas de investigação estão sendo empregadas na Amazônia por uma das instituições vinculadas a este projeto (WHRC), os resultados obtidos serão diretamente comparáveis.

Término: indeterminado

Coordenador: Carlos Augusto Klink

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: klink@unb.br


5 - Impactos dos Usos das Bacias Hidrográficas sobre a Integridade Ecológica dos Ecossistemas Aquáticos do Cerrado

Resumo: Nas últimas quatro décadas, o Cerrado vem experimentando transformações crescentes em sua paisagem. Estima-se que cerca de 37% de sua área já tenham sido convertidos e que 56% constituam "paisagem natural manejada", sujeita a crescente fragmentação. Esta situação reflete-se de forma dramática nos ecossistemas aquáticos da região. Drenado por um complexo hidrográfico formado pelas cabeceiras das três maiores bacias do país (Tocantins/Amazônica, Paranaíba/Paraná e São Francisco), o bioma Cerrado abriga muitas espécies novas e endêmicas de peixes, muitas das quais podem estar desaparecendo sem que um esforço efetivo para a sua conservação seja implementado. Os efeitos das perturbações antrópicas sobre a estrutura e função dos ecossistemas aquáticos raramente podem ser avaliados apenas com base em parâmetros físico-químicos da água, tendo em vista a reduzida capacidade de assimilação de efluentes, as tendências à bioacumulação e eutrofização e a complexidade das interações bióticas que mantêm os fluxos nesses ecossistemas. Com base na hipótese de que os usos e ocupação das bacias de drenagem causam alterações físicas e químicas nos habitat aquáticos, provocando modificações na estrutura e interações das comunidades de peixes, as quais constituem indicadores sensíveis da qualidade destes ecossistemas e devem fornecer as bases para sua conservação e manejo, uma abordagem mais adequada deve objetivar o monitoramento da integridade química, física e biológica dos ecossistemas aquáticos sob diferentes condições ambientais. Para testar esta hipótese, em 1984 teve início, na RECOR, o projeto "Impactos dos Usos das Bacias Hidrográficas sobre a Integridade Ecológica dos Ecossistemas Aquáticos do Cerrado", tendo a bacia do ribeirão do Gama como estudo-de-caso. Esta bacia apresenta, em sua margem direita, cerca de 11.000 ha bem conservados que inclui as sub-bacias dos córregos Taquara, que drena a RECOR, e Capetinga, que drena uma Unidade de Conservação contígua, da UnB). A margem esquerda está totalmente ocupada por diferentes usos antrópicos (urbano, agrícola, reservatório, reflorestamento e degradações difusas diversas). A partir de 1992, o projeto passou a contar com a participação da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento e do Departamento de Geoquímica da UnB e, em 1998, o Laboratório de Ecologia da Universidade Federal de Viçosa fará parte da equipe. Este projeto tem como objetivos: (a) desenvolver, aplicar e testar a eficiência de diferentes metodologias para a seleção, hierarquização e integração de indicadores de integridade ecológica e de impactos potenciais, metodologias estas que tornem explícitas as relações entre as variáveis e que permitam avaliar a precisão e a acuidade das estimativas; (b) conhecer o padrão natural de flutuações espaço-temporais das condições ambientais e das comunidades de peixes ao longo de bacias de drenagem bem conservadas (córregos Taquara e Capetinga), e estabelecer hipóteses gerais sobre a estrutura e função de seus ecossistemas (córregos e veredas), considerados como "Padrões Ambientais" (amostragem sazonal entre 1984 e 1991 e anual a partir de 1992); (c) monitorar os níveis de integridade ecológica em pontos da bacia do ribeirão do Gama sujeitos à ação de diferentes fatores antrópicos, comparando-os com os de locais de mesma estrutura e dinâmica nas áreas-padrões (amostragem qüinqüenal desde 1986); (d) identificar as fontes de danos potenciais (impactos) à integridade biótica das comunidades de peixes e à integridade físico-química dos habitats aquáticos na bacia do ribeirão Gama, quantificando a importância relativa e a evolução dos diferentes impactos entre os anos de 1953 e 2001 (amostragem a cada 10 anos desde 1953 e qüinqüenal a partir de 1991); (e) analisar os efeitos dos impactos sobre os indicadores da integridade dos ecossistemas aquáticos, sob a perspectiva de uma análise do risco ecológico; (f) estabelecer "modelos de habitat" (tendo como variável resposta os níveis de integridade ecológica e, como variáveis preditivas as variáveis de habitat e de uso/ocupação do solo e da água) e "análises de custo-benefício simplificadas" para orientar as atividades de manejo (amostragem qüinqüenal desde 1986); (g) realizar previsões sobre as variações dos níveis de integridade ecológica sob diferentes cenários futuros de ocupação (amostragem qüinqüenal). O delineamento amostral aproveitou as principais categorias de uso da bacia (agricultura, urbanização, represa e unidade de conservação) como fatores experimentais não manipulativos, cujos efeitos sobre os ecossistemas aquáticos estão sendo analisados a cada cinco anos desde 1986. Foi estabelecido um total de 49 unidades amostrais sob influência dos diferentes fatores. Em cada unidade foram obtidas, para as 24 variáveis ambientais selecionadas, amostras padronizadas em três transectos transversais ao canal dos córregos, com três leituras por transecto. As comunidades de peixes foram coletadas por operações padronizadas com redes de arrasto, com eficiência previamente calibrada para correção dos erros amostrais por espécie e classe de comprimento, sob as diferentes condições amostrais. A partir de 1997, serão monitoradas 60 variáveis do habitat físico-químico, além da composição de metais dos sedimentos de corrente, da taxa de erosão/assoreamento dos canais e transporte de sedimentos na bacia. O monitoramento da integridade biótica ocorrerá com comunidades de peixes amostradas com uma rede elétrica (com procedimentos de calibração da eficiência análogos àqueles para a rede de arrasto).

Término: indeterminado

Coordenador: Mauro César Lambert de Brito Ribeiro

Instituição: IBGE

E-mail: mauro@recor.org.br


6 - Os Efeitos da exclusão de chuvas na fenologia do dossel dinâmica da água e respiração do solo e sobrevivência de plantas do cerrado (Seca Cerrado)

Resumo: Este projeto tem como objetivo testar, através de uma abordagem experimental, como a redução das chuvas em uma área de cerrado sensu stricto afeta o uso da água e a incorporação de carbono pela vegetação, procurando prever como fenômenos climáticos que levam a um declínio da precipitação, como o fenômeno El Niño, influenciam a estrutura e funcionamento da vegetação do Cerrado. A redução experimental das chuvas será realizada através de uma estrutura removível construída sobre a vegetação. Para compreender os efeitos do estresse hídrico provocado na estrutura e funcionamento da vegetação, estudaremos a fenologia do dossel, transpiração, crescimento e mortalidade de plantas lenhosas, produção de liteira, produção e distribuição de raízes e respiração do solo. Estes estudos serão correlacionados com medidas de água no solo.

Término: indeterminado

Coordenador: Carlos Augusto Klink

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: klink@unb.br


7 - Efeitos do regime de fogo sobre a estrutura de uma comunidade de cerrado (Projeto Fogo)

Resumo: Visando obter subsídios científicos para avaliar técnicas de manejo que possam ser apropriadas para a vegetação do Cerrado (reduzindo danos e riscos de queimadas intensas e destruidoras) e determinar os efeitos de diferentes regimes de queima (freqüência, intensidade e época de ocorrência) sobre a estrutura e dinâmica da vegetação e fauna do cerrado, pesquisadores do IBGE, IBAMA, UnB, EMPRABA Cerrados, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Usp, do Jardim Botânico de Brasília, do Serviço Florestal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, da Agência Espacial Americana e de várias Universidades estrangeiras vem desenvolvendo projetos para:
a) Conhecer a estrutura da vegetação e fauna de áreas de cerrado com histórico de queima constantes;
b) Conhecer o histórico e aspectos culturais do uso do fogo do cerrado;
c) Conhecer o comportamento do fogo (temperatura do ar e do solo durante queimadas, velocidade de propagação e intensidade da frente do fogo, calor liberado durante queimadas);
d) Conhecer as estratégias de escape da fauna e da flora;
e) Conhecer os padrões e modelos de regeneração e sucessão que ocorrem no cerrado devido a diferentes regimes de queima.
Em 1989 teve início, na Reserva Ecológica do IBGE, o projeto Efeitos do Regime de Fogo sobre estrutura de uma comunidade de cerrado, mais conhecido como Projeto Fogo. A área utilizada no projeto foi inicialmente selecionada em função de sua homogeneidade topográfica e edáfica (baixa declividade e tipologia edáfica de latossolo, predominante no bioma Cerrado), por possuir um gradiente de vegetação com as fisionomias predominantes do cerrado, isto é, cerradão, cerrado sensu stricto e campo sujo, e por estar protegida do fogo por 18 anos. Na área experimental destinada ao projeto (cerca de 10% da área da RECOR) foram estabelecidos três blocos de 50 há, sendo cada bloco referente a uma forma fisionômica da vegetação do Cerrado. Cada bloco foi dividido em cinco quadras de 200m X500m que recebem um tipo de tratamento experimental para simular deferentes épocas e freqüências de ocorrência de queimadas no Cerrado e seus efeitos sobre a vegetação e a fauna. Os tratamentos são:
a) Sem queima - (controle) é o regime proposto nos planos de manejo dos Parques Nacionais do Cerrado; propiciaria a sucessão da vegetação do cerrado em direção ao cerradão (atualmente com 26 anos sem queima);
b) Queima bienal precoce - (início da estação seca - final de junho) é um regime alternativo para eliminar o excesso de combustível evitando grandes incêndios acidentais, propiciando o controle de capins invasores e a disponibilidade de alimento para a fauna durante a seca;
c) Queima bienal modal - (auge da seca - início de agosto) é o regime de queima dominante nos cerrados;
d) Queima bienal tardia - (início das chuvas - final de setembro) é provavelmente o regime de queima que causa maior impacto, devido ao padrão fenológico da vegetação que apresenta pico de renovação das copas e reprodução durante a primavera;
e) Queima quadrienal modal - (auge da seca - início de agosto) o recrutamento de árvores seria favorecido.

Término: indeterminado

Coordenador: Heloísa Sinátora Miranda

Instituição: Universidade de Brasília - UnB

E-mail: hmiranda@unb.br

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